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Amor-próprio e respeito – Demanda de uma vida

Em 2012 atravessava uma crise emocional extremamente dolorosa… devido às minhas expetativas. Julguei que por essa altura, com quase 30 anos, estaria numa posição mais estável a nível profissional, que poderia estar casada e ter pelo menos um filho. Foram as expetativas que criei, também por projeção daqueles que me rodeiam e me criaram.


Em conversa com o meu querido amigo Norberto, viajei até à Alemanha e deparei-me com um professor que me falou ao coração. Dizia-me coisas que ressoavam no meu coração. Era como se eu soubesse o que ele ia dizer, como se eu fosse detentora daquelas mesmas informações. Afinal, acabei por descobrir uma sabedoria universal e cósmica. Somos todos parte de uma unidade. Somos um só com o universo.


Iniciei o meu processo procurando o respeito primeiro. Ansiava pelo respeito de quem me rodeava e afinal descobri que eu própria não me respeitava. Auto agredia-me a cada pensamento ou atitude menos saudável. À medida que fui trabalhando em mim mesma, foram acontecendo coisas extraordinárias. A melhoria substancial da minha saúde em geral era notável. O meu corpo agradecia e vibrava com as minhas decisões do momento. Há medida que trabalhava na minha própria voz, era desafiada com conflitos maiores. Sendo formada em EF, e tendo uma vida ligada ao desporto, diria que foi uma progressão extraordinária. “No pain, no game.” O universo conspira a nosso favor. Se não tivesse sido desta forma, não estaria preparada para avançar de forma tão construtiva e consistente. Tudo me preparava para o passo seguinte. Do mais simples, para o mais complexo.


Logicamente esta é a minha perspetiva e não uma verdade absoluta. Não pretendo afirmar com isto que: quem não sofre, não aprende. Contudo, as maiores e melhores aprendizagens que fiz incluiu a dor, a desilusão, a frustração, a tristeza…

O despertar para este caminho mais ciente, mais espiritual, foi assegurado por muita dor e conflito. Se outrora, me vitimizava e me “deleitava” numa espiral de negatividade, pessimismo, pensamento polarizado, suspeita infundada, entre outros. Agora reconheço que tudo na vida são aprendizagens! Tudo depende da carga emocional que damos a estes conflitos/ desafios. Se os vemos como aprendizagens, retiramos o bom e o essencial dessa experiência e vivência. Se o virmos apenas sob a perspetiva da dor que causou, carregaremos o passado e essa mesma dor como um fardo pesado que nos bloqueia e impede de sentir gratidão, de evoluir, de crescer. Aprendi que não posso mudar o passado ou experiência que já aconteceu, apenas gerir da melhor forma as minhas emoções e ação-reação a esse mesmo acontecimento.


Foram necessários muitos professores, os que ensinam e os que nos testam, ao longo destes 8 anos.


Estamos em 2020 e continuo a trabalhar todos os dias no amor-próprio e respeito. Não sou mais a Patrícia de outrora. Ganhei outra confiança e tenho a certeza que sou de certa forma exemplo para outros. Não pretendo vangloriar-me por tal, continuo a ter que fazer o meu árduo caminho, pautado de possibilidades, fazendo as minhas escolhas e aprendizagens. Trabalho na aceitação daquilo que é, mas apraz-me olhar para trás e ver no que me tornei para mim mesma. Sou mais conhecedora de mim mesma e assim sendo também mais livre! A sensação de liberdade gera mais felicidade! Poder ser quem sou, ainda que em construção ou descoberta, mas poder mostrar todos os dias para mim mesma: amor e respeito!


O Yuan Tze ensina-nos a cultivar as qualidades essenciais do coração! Primeiro com confiança no coração, somos capazes de uma maior abertura à vida e às outras pessoas. Estas qualidades permitem-nos saborear o verdadeiro amor, sentir gratidão no coração. Há a possibilidade de nos tornarmos seres humanos com mais respeito e humildade (Gongjing) no coração.


O caminho não é fácil. É necessário um espinhoso trabalho ao nível dos padrões não saudáveis.


Comecei por trabalhar nas expetativas e continuo a trabalhar. A nível profissional já me desapeguei desse padrão, mas ao nível das relações continuo a ter que trabalhar, porque continua a haver a necessidade de amor-próprio. Não há ninguém com a capacidade de nos preencher essa necessidade de amor. É preciso conhecermo-nos e reconhecermo-nos para que padrões não saudáveis como o da negatividade, procura de aprovação, entre tantos outros não levarem o melhor de nós.


No ano de 2017, coloquei o desejo de ir à Califórnia para concluir o 6º nível de professores e terapeutas de Ren Xue de 2018. Entreguei ao universo esse meu desejo. Não sabia como seria possível, simplesmente coloquei essa intenção. É extraordinário como uma intenção genuína pode transformar o nosso campo de oportunidades.

Na altura estava a trabalhar numa fábrica de feltros para chapéus, a ganhar o ordenado mínimo nacional. Procurei melhores condições de trabalho e durante 15 dias fiz peças de automóvel para a Porsche. Posteriormente fui colocada em EF numa escola na Amadora - contrato de substituição. Nesse ano letivo passei por 4 escolas diferentes, 4 contratos diferentes em 4 pontos muito equidistantes do país. No 4º contrato, chorei porque achei que o universo me havia ignorado, mas o universo acabou por revelar o que estava reservado. Num golpe de sorte, e com a graça do irmão da minha melhor amiga, consegui numa das zonas mais caras do país, juntar todo o dinheiro necessário para a viagem e curso. Foi o que ainda chamo o Patrocínio do Ano.


O curso seria em novembro e eu já tinha concorrido. Fui colocada, julgando que o Universo continuava a conspirar a meu favor. Apresentei-me porque um mês de contrato numa escola em Sabrosa, era tudo o que precisava, para depois seguir para os EUA enquanto estivesse desempregada. Depois de regressar aguardaria uma nova colocação. Ao chegar à escola e depois de uma semana de trabalho, informaram-me que seria por mais tempo. Denunciei o contrato, com muita gente à minha volta a chamar-me de louca. Anulei a possibilidade de voltar à bolsa nesse ano letivo. Mas depois de tudo o que havia passado, não podia desperdiçar esta grande oportunidade e “enganar” o universo relativamente às minhas intenções.


O meu trabalho relativamente aos padrões nos EUA foi sobretudo dirigido à procura de aprovação externa.


Quando regressei, consegui trabalho na escola pública, em oferta de escola. Nota: a única oferta de EF nessa altura. Sinceramente eu não estava muito preocupada. Já abracei tantos trabalhos nesta jornada que não era algo com que me preocupasse nessa altura. Ter que trabalhar fora da minha área de formação. Estive longe da família, mas foi uma excelente oportunidade para perceber um conjunto de outros aspetos da minha vida. Conheci pessoas extraordinárias com quem mantenho laços estreitos. Com elas cresci e pretendo continuar a crescer!


Guardo as palavras do Yuan Tze com profundo respeito: “Quando tu mudares, tudo à tua volta muda!” Continuo a trabalhar para a elevação da consciência, procuro a entrega, a rendição incondicional em todas as áreas da vida…

Abracei a missão do Ren Xue - Zi Du Du Ren - eleva-te e ajuda os outros a elevarem as suas vidas. Expresso a minha Gratidão imensa a todos aqueles que confiaram em mim nesse processo e a todos aqueles que me irão presentear com essa dádida!


WU XIN

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